—Mãi, toma o arco de Pery; enterra junto dos ossos de seu pai: e queima a cabana de Ararê.

—Não; se algum dia Pery voltar, achará a cabana de seu pai, e sua mãi para ama-lo: tudo vai ficar triste até que a lua das flôres leve o filho de Ararê ao campo onde nasceu.

Pery abanou a cabeça com tristeza;

—Pery não voltará!

Sua mãi fez um gesto de espanto e desespero.

—O fructo que cabe da arvore não torna mais a ella; a folha que se despega do ramo, murcha, secca e morre; o vento a leva. Pery é a folha; tu és a arvore, mãi. Pery não voltará ao teu seio.

—A Virgem branca salvou tua mãi; devia deixa-la morrer, para não lhe roubar seu filho. Uma mãi sem seu filho é uma terra sem agua; queima e mata tudo que se chega a ella.

Estas palavras forão acompanhadas de um olhar de ameaça, em que se revelava a ferocidade do tigre que defende os seus cachorrinhos.

—Mãi, não offende a senhora; Pery morreria, e na ultima hora não se lembraria de ti.

Os dous ficárão algum tempo em silencio.