—Tua mãi fica! disse a india com um accento de resolução.

—E quem será a mãi da tribu? Quem guardará a cabana de Pery? Quem contará aos pequenos as guerras de Ararê, forte entre os mais fortes? Quem dirá: quantas vezes a nação goytacaz levou o fogo á taba dos brancos, e venceu os homens do raio? Quem ha de preparar os vinhos e as bebidas para os guerreiros, e ensinar aos filhos os costumes dos velhos?

Pery proferio estas palavras com a exaltação, que despertavão nelle as reminiscencias de sua vida selvagem; a india ficou pensativa e respondeu:

—Tua mãi volta; vai te esperar na porta da cabana, á sombra do jambeiro; se a flor do jambo vier sem Pery, tua mãi não verá os fructos da arvore.

A india pousou a mãos sobre os hombros de seu filho, e encostou a fronte na fronte delle; durante um momento as lagrimas que salta vão dos olhos de ambos se confundirão.

Depois ella afastou-se lentamente; Pery seguio-a com os olhos até que desappareceu na floresta: esteve a correr, chama-la e partir com ella. Mas o vento lhe trazia a voz argentina de Cecilia que fallava com seu pai; ficou.

Nessa mesma noite construirá aquella pequena cabana que se via na ponta do rochedo, e que ia ser o seu mundo.

Passárão tres mezes.

Cecilia que um momento conseguira vencer a repugnancia que sentia pelo selvagem, quando lhe ordenára que ficasse, não se lembrou da ingratidão que commettia e não disfarçou mais a sua antipathia.

Quando o indio chegava-se a ella, soltava um grito de susto; ou fugia, ou ordenava-lhe que se retirasse; Pery que já fallava e entendia o portuguez, afastava-se triste e humilde.