Entretanto a sua dedicação não se desmentia; elle acompanhava a D. Antonio de Mariz nas suas excursões, ajudava-o com a sua experiencia, guiava-o aos logares onde havião terrenos auriferos ou pedras preciosas. De volta destas expedições corria todo o dia os campos para procurar um perfume, uma flôr, um passaro, que entregava ao fidalgo e pedia-lhe désse a Cecy, pois já não se animava a chegar-se para ella, com receio de desgota-la.
Cecy era o nome que o indio dava á sua senhora, depois que lhe tinhão ensinado que ella se chamava Cecilia.
Um dia a menina ouvindo chamar-se assim por elle, e achando um pretexto para zangar-se contra o escravo humilde que obedecia ao seu menor gesto, reprehendeu-o com aspereza:
—Porque me chamas tu Cecy?
—Não sabes dizer Cecilia?
Pery pronunciou claramente o nome da moça com todas as syllabas; isto era tanto mais admiravel quando a sua lingua não conhecia quatro letras, das quaes uma era o L.
—Mas então, disse a menina com alguma curiosidade, se tu sabes o meu nome, porque não o dizes sempre?
—Porque Cecy é o nome que Pery tem dentro da alma.
—Ah! é um nome de tua lingua?
—Sim.