—Escolhei o que quizerdes, menos a espada; o mais me é indifferente.
—Outra cousa ainda; se nos batermos aqui, podemos incommodar-nos reciprocamente; porque pretendo matar-vos, e creio que o mesmo desejo tendes a meu respeito. Ora é preciso que desappareça o que ficar, e o outro não leve um vestigio que o possa denunciar.
—Que quereis fazer neste caso?
—O rio está aqui perto, tendes a vossa clavina; collocar-nos-hemos cada um sobre uma ponta de rochedo, aquelle que cahir morto ou simplesmente ferido, pertencerá ao rio e á cachoeira; não incommodará o outro.
—Tendes razão, é melhor assim; eu me envergonharia se D. Antonio de Mariz soubesse que me bati com um homem da vossa qualidade.
—Sigamos, Sr. cavalheiro; nós nos odiamos bastante para não gastarmos tempo em palavras.
Ambos tomárão na direcção do rio, cujo estrepito ouvia-se distinctamente.
Alvaro, valente e corajoso, desprezava muito o seu inimigo para ter o menor receio delle; demais a sua alma nobre e leal, incapaz da mais pequena vilania, não pensava na traição. Nunca podia lembrar-lhe que um homem que o viera provocar e ia medir-se com elle n'um combate franco, levasse a infamia a ponto de querer feri-lo pelas costas.
Assim, continuou a caminhar, quando o italiano, deixando cahir de proposito a cinta da espada, parou um instante para apanha-la e prende-la de novo.
O que se passava então no seu espirito não estava de acordo com as idéas nobres do cavalheiro; vendo o moço adiantar-se, disse comsigo?