—Miseravel!... exclamou o cavalheiro levando a mão á guarda da espada.
O movimento foi tão rapido, que a palavra soou ao mesmo tempo que a ponta da lamina de aço batendo na face do italiano.
Loredano quiz evitar o insulto, mas não era tempo: seus olhos injectárão-se de sangue:
—Sr. cavalheiro, deveis-me satisfação do insulto que me acabais de fazer.
—É justo, respondeu Alvaro com dignidade; mas não á espada que é a arma do cavalheiro; tirai o vosso punhal de bandido, e defendei-vos.
Proferindo estas palavras, o moço embainhou a espada com toda a calma, segurou-a á cinta para não embaraçar-lhe os movimentos e sacou o seu punhal, excellente folha de Damasco.
Os dous inimigos marchárão um para o outro, e lançárão-se; o italiano era agil e forte, e defendia-se com summa dextreza; por duas vezes já, o punhal de Alvaro, roçando-lhe o pescoço, tinha cortado o talho de seu gibão de belbute.
De repente Loredano, fincando os pés, deo um pulo para tráz, e ergueu a mão esquerda em signal de tregoa.
—Estais satisfeito? perguntou Alvaro.
—Não, Sr. cavalheiro; mas penso que em vez de nos estarmos aqui a fatigar inutilmente, melhor seria tomarmos um meio mais expedito.