Alvaro ouvio um sibillo agudo.
A bala roçando pela aba rebatida de seu chapéo de feltro cortou a ponta da pluma escarlate que se enroscava sobre o hombro.
O moço voltou-se calmo, sereno, impassivel; nem um musculo do seu rosto agitou-se; apenas um sorriso de soberano desprezo arqueava o labio superior, sombreado pelo bigode negro.
O espectaculo que se offereceu aos seus olhos causou-lhe uma sorpreza extraordinária; não esperava de certo ver o que se passava a dez passos delle.
Pery mostrando nos movimentos toda a força muscular de sua organisação de aço, com a mão esquerda segura á nuca de Loredano, curvava-o sob a pressão violenta, e obrigava-o a ajoelhar.
O italiano livido, com o rosto contrahido e os olhos immensamente dilatados, tinha ainda entre as mãos hirtas a clavina fumegante.
O indio arrancou-a e sacando a longa faca, levantou o braço para crava-la no alto da cabeça do italiano.
Mas Alvaro tinha-se adiantado e aparou o golpe: depois estendeu a mão ao indio.
—Solta este miseravel, Pery!
—Não!