—Juro! exclamou o italiano.

O moço tirou o collar que dava tres voltas sobre os hombros, e apresentou a Loredano a cruz vermelha do Christo que lhe pendia do peito: o aventureiro estendeu a mão, e repetio o juramento.

—Ergue-te; e tira-te dos meus olhos.

E com o mesmo desprezo e a mesma nobreza, o cavalheiro desarmou a sua clavina; voltou-se para continuar o seu caminho fazendo um signal a Pery para que o acompanhasse.

O indio, emquanto se passava a rapida scena que descrevemos, reflectia profundamente.

Quando ouvira o que dizião ha pouco Loredano e seus dous companheiros, quando pelo resto da conversa comprehendêra que se tratava de fazer mal á sua senhora e a D. Antonio de Mariz, a sua primeira idéa tinha sido lançar-se aos tres inimigos e mata-los.

Foi por isso que soltou aquella palavra que revelava a sua indignação; mas immediatamente lembrou-se que elle podia morrer, e que nesse caso Cecilia não teria quem a defendesse. Pela primeira vez na sua vida teve medo; teve medo por sua senhora, e sentio não possuir mil vidas para sacrifica-las todas á sua salvação.

Fugio então com bastante rapidez para não ser visto pelo italiano que subia á arvore: afastou-se delles; chegando á beira do rio, lavou a sua tunica de algodão, que ficára manchada de sangue; não queria que soubessem que estava ferido.

Emquanto se entregava a este trabalho, combinava um plano de acção.

Resolveu não dizer nada a quem quer que fosse, nem mesmo a D. Antonio de Mariz: duas razões o levavão a proceder assim; a primeira era o receio de não ser acreditado, pois não tinha provas com que podesse justificar a accusação, que elle, indio ia fazer contra homens brancos; a segunda era a confiança que tinha de que elle só bastava para desfazer todas as tramas dos aventureiros, e lutar contra o italiano.