—E qual é ella, se vos praz?
—Oh! não vale a pena repetir: é cousa de somenos.
—Dizei sempre, Sr. Loredano: nada é perdido entre dous homens que se entendem; replicou Alvaro com um olhar de ameaça.
—Já que o quereis, força é satisfazer-vos. Noto que a ordem de D. Antonio, e o italiano carregou nesta palavra, manda-vos estar no Paquequer um pouco antes de seis horas, a tempo de ouvir a prece.
—Tendes um dom admiravel, Sr. Loredano; o que é de lamentar, é que o empregueis em futilidades.
—Em que quereis que um homem gaste seu tempo neste sertão, senão a olhar para seus semelhantes, e ver o que elles fazem?
—Com effeito é uma boa distracção.
—Excellente. Vede vós, tenho visto cousas que se passão diante dos outros, e que ninguem percebe, porque não se quer dar ao trabalho de olhar como eu; disse o italiano com o seu ar de simplicidade fingida.
—Contai-nos isto, ha de ser curioso.
—Ao contrario, é o mais natural possivel; um moço que apanha uma flor ou um homem que passeia de noite á luz das estrellas... Póde haver cousa mais simples?