E o indio respeitava a Alvaro, não por sua causa, mas por Cecilia a quem elle amava; qualquer desgraça que succedesse ao cavalheiro tornaria a senhora triste; isto bastava para que a pessoa do moço fosse sagrada, como tudo o que pertencia á menina, ou que era necessario ao seu descanço, ao seu socego e felicidade.

O resultado desta reflexão foi Pery metter a sua faca á cinta; e sem importar-se mais com o italiano, acompanhar o cavalheiro.

Ambos seguirão em direcção da casa, caminhando ao longo da margem do rio.

—Obrigado ainda uma vez, Pery; não pela vida que me salvaste, mas pela estima que me tens.

E o moço apertou a mão do selvagem:

—Não agradece; Pery nada te fez; quem te salvou foi a senhora.

Alvaro sorrio-se da franqueza do indio, e córou da allusão que havia em suas palavras.

—Se tu morresses, a senhora havia de chorar; e Pery quer vêr a senhora contente.

—Tu te enganas; Cecilia é boa, e sentiria da mesma maneira o mal que succedesse a mim, como a ti, ou a qualquer dos que está acostumada a ver.

—Pery sabe porque falla assim; tem olhos que vêem, e ouvidos que ouvem; tu és para a senhora o sol que faz o jambo corado, e o sereno que abre a flôr da noite.