—Pery vai só.

—Veremos!

O indio tirou a sua faca.

—Heim!... gritou o escudeiro. A conversa vai agora nesse tom? Se o Sr. D. Antonio não me tivesse prohibido expressamente, eu te mostraria! Mas... Podes matar-me, que eu não arredo pé.

—Pery só mata o seu inimigo, e tu não és; tu teimas, Pery te amarra.

—Como?... Como é lá isso?

O indio começou a cortar com a maior calma um longo cipó que se engrasava pelos galhos das arvores, o escudeiro meio espantado sentia a mostarda subir-lhe ao nariz, e esteve quasi não quasi, atirando-se ao selvagem.

Mas a ordem de D. Antonio era formal; via-se pois obrigado a respeitar o indio; ornais que o digno escudeiro podia fazer era defender-se valentemente.

Quando Pery cortou umas dez braças do cipó que ia enrolando ao pescoço, embainhou a faca, e voltou-se para o escudeiro sorrindo. Ayres Gomes sem trepidar puxou da espada, e pôz-se em guarda, segundo as regras da nobre e liberal arte do jogo de espadão, que professava desde a mais tenra idade.

Era um duello original e curioso, como talvez não tenha havido segundo, combate em que as armas lutavão contra a agilidade, e o ferro contra um vime delgado.