Isabel pretextára uma indisposição; não sahira do seu quarto depois que voltára do aposento de Cecilia, tendo trahido o segredo de seu amor.
As lagrimas que derramou não forão como as de sua prima, de allivio e consolo; forão lagrimas ardentes, que em vez de refrescarem o coração, o queimão como o rescaldo da paixão.
Ás vezes, ainda humedecidos de pranto, seus olhos negros brilhavão com um fulgor extraordinario; parecia que um pensamento delirante passava rapidamente no seu espirito desvairado. Então ajoelhava-se, e fazia uma oração, no meio da qual suas lagrimas vinhão de novo orvalhar-lhe as faces.
Quando Cecilia entrou, elle estava sentada á beira do leito, com os olhos fitos na janella, por entre a qual se via uma nesga do céo.
Estava bella da melancolia e languidez que prostrava o seu corpo n'um enlevo seductor, fazendo realçar as linhas harmoniosas de talhe gracioso.
Cecilia aproximou-se sem ser vista, e estalou um beijo na face morena de sua prima.
—Já te disse que não te quero vêr triste.
—Cecilia!... exclamou Isabel sobresaltando-se.
—Que é isto? Faço-te medo?
—Não... mas...