D. Antonio não sabia o que responder; e foi obrigado a procurar um pretexto para explicar ao indio o seu procedimento: a idéa da religião, que todos os povos comprehendem, pareceu-lhe a mais propria.
—Tu sabes que nós os brancos temos um Deus, que mora lá em cima, a quem amamos, respeitamos e obedecemos.
—Sim.
—Esse Deus não quer que viva no meio de nós um homem que não o adora, e não o conhece; até hoje lhe desobedecêmos; agora elle manda.
—O Deus de Pery tambem mandava que elle ficasse com sua mãi, na sua tribu, junto dos ossos de seu pai, e Pery abandonou tudo para seguir-te.
Houve um momento de silencio; D. Antonio não sabia o que replicar.
—Pery não te quer aborrecer; só espera a ordem da senhora. Tu mandas que Pery vá, senhora?
D. Lauriana que apenas se tinha fallado em religião voltára ás suas prevenções contra o indio, fez um gesto imperioso a sua filha.
—Sim! balbuciou Cecilia.
O indio abaixou a cabeça; uma lagrima deslisou-lhe pela face.