Ás vezes dizia comsigo que bastava-lhe a riqueza para poder escolher no mundo uma mulher que amasse; outras parecia-lhe que o universo inteiro sem Cecilia ficaria deserto, e inutil lhe seria todo o ouro que ia conquistar.

Por fim ergueu a cabeça. Seus companheiros esperavão uma palavra sua como o oraculo do seu destino; preparárão-se para ouvi-lo.

—Só ha duas cousas a fazer; ou entrarmos na casa, ou fugirmos daqui mesmo; é preciso resolver. Que pensais vós?

—Eu penso, disse Bento Simões tremulo ainda, que devemos fugir quanto antes, e andar dia e noite sem parar.

—E vós, Ruy, sois do mesmo aviso?

—Não; fugir é nos denunciar e perder. Tres homens sós neste sertão, obrigados a evitar o povoado, não podem viver; temos inimigos por toda a parte.

—Que propondes então?

—Que entremos em casa como se nada se tivesse passado; ou estamos descobertos, e neste caso ainda faltão as provas para nos condemnarem; ou ignorão tudo e não corremos o menor risco.

—Tendes razão, disse o italiano, devemos voltar; nessa casa está a nossa fortuna, ou a nossa ruina. Achamo-nos n'uma posição em que devemos ganhar tudo ou perder tudo.

Houve longa pausa durante que o italiano reflectia.