—Tu és grande; podias ter nascido no deserto, e ser o rei das florestas; Pery te chamaria irmão.

Apertárão as mãos e dirigirão-se á casa; em caminho Alvaro lembrou-se que ainda não conhecia os homens contra os quaes tinha de defender Cecilia; perguntou seus nomes; Pery recusou formalmente e prometteu que o cavalheiro saberia, quando fosse tempo.

O indio tinha a sua idéa.

Chegando á casa os dous separárão-se; Alvaro ganhou o aposento que occupava; Pery encaminhou-se para o jardim de Cecilia.

Erão então oito horas da noite, toda a familia se achava reunida na cêa; o quarto da menina estava ás escuras. Pery examinou os arredores para vêr se tudo estava tranquillo e em socego; e sentou-se n'um banco do jardim.

Meia hora depois uma luz esclareceu a janella do quarto, e a porta abrindo-se deixou vêr o corpinho gracioso de Cecilia que se destacava no vão esclarecido.

A menina avistando o indio correu para elle:

—Meu pobre Pery, disse ella; tu soffreste hoje muito, não é verdade? E achaste tua senhora bem má e bem ingrata, porque te mandou partir! Mas agora, meu pai disse: Ficarás comnosco para sempre.

—Tu és boa senhora: tu choravas quando Pery ia partir; pediste para elle ficar.

—Então não tens queixa de Cecy? disse a menina sorrindo.