—O escravo póde ter queixa de sua senhora? tornou o indio simplesmente.
—Mas tu não és escravo!... respondeu Cecilia com um gesto de contrariedade; tu és um amigo sincero e dedicado. Duas vezes me salvaste a vida; fazes impossiveis para me veres contente e satisfeita; todos os dias te arriscas a morrer por minha causa.
O indio sorrio:
—Que queres que Pery faça de sua vida, senhora?
—Quero que estime sua senhora e lhe obedeça, e aprenda o que ella lhe ensinar, para ser um cavalheiro como meu irmão D. Diogo e o Sr. Alvaro.
Pery abanou a cabeça.
—Olha, continuou a menina; Cecy vai te ensinar a conhecer o Senhor do céo, e a rezar tambem e ler bonitas historias. Quando souberes tudo isto, ella bordará um manto de seda para ti; terás uma espada, e uma cruz no peito. Sim?
—A planta precisa de sol para crescer, a flôr precisa de agua para abrir; Pery precisa de liberdade para viver.
—Mas tu serás livre; e nobre como meu pai!
—Não!... O passaro que vôa nos ares cahe, se lhe quebrão as azas; o peixe que nada no rio morre, se o deitão em terra; Pery será como o passaro e como o peixe, se tu cortares as suas azas e o tirares da vida em que nasceu.