—Desde que o desejas...
—Será uma lembrança que teremos de Pery.
—Para ti, que para mim a melhor lembrança és tu. Se não fosse elle, podia eu agora apertar-te nos meus braços?
—Sabeis que tenho vontade de chorar só de pensar que elle se vai?
—É natural, minha filha, as lagrimas são um balsamo que Deus deo á fraqueza da mulher, e que negou á força do homem.
O fidalgo separou-se de sua filha, e chegou-se á porta onde se achavão ainda sua mulher, Isabel e Ayres Gomes.
—Que decidistes, Sr. D. Antonio? perguntou a dama.
—Decidi fazer-vos a vontade, para socego vosso e descanço meu. Hoje mesmo ou amanhã Pery deixará esta casa; mas emquanto elle aqui estiver, eu não quero, disse carregando ligeiramente sobre aquelle monosyllabo, que se lhe diga uma palavra sequer de desagrado. Pery sahe desta casa porque lh'o peço, e não porque isto seja-lhe ordenado por alguem. Entendeis, minha mulher?
D. Lauriana, que comprehendia o que havia de energia e resolução naquelle imperceptivel entoação dada pelo fidalgo a uma simples phrase, inclinou a cabeça.
—Incumbo-me de fallar eu mesmo a Pery! Dir-lhe-has de minha parte, Ayres Gomes, que venha ter comigo.