Murinhem atravessou rapido a campina e aprezentou-se em frente de Canicran, chefe dos tapuias.

—Ubirajara, o senhor da lança, que empunha o arco da poderoza nação araguaia, te manda, a ti quem quer que sejas, e a todos quantos te obedecem, a sua vontade.

O tapuia rujiu; mas seus olhos viam o mar dos guerreiros araguaias que o cercava, e na frente o grande vulto de Ubirajara, semelhante ao rochedo sombrio e imovel no meio dos borbotões da cachoeira.

Os guerreiros de Canicran só conhecem a vontade do seu chefe; e Canicran afronta a cólera de Tupan e das nações que elle gerou. Dize, mensajeiro, o que pede Ubirajara, ao grande chefe dos tapuias.

—Ubirajara te manda que encostes o tacape da guerra. A nação tocantim aceitou a sua flecha de dezafio, e elle não consente que ninguem combata seu inimigo, antes de o ter vencido.

—Torna e dize ao grande chefe araguaia, que Canicran veiu trazido pela vingança. Pojucan, um dos chefes tocantins penetrou em sua taba e incendiou a cabana do pajé, que foi devorado pelas chamas.

«Ubirajara é um grande chefe araguaia; elle que diga se o pai da nação póde sofrer tão dura afronta. Canicran escuta a voz de sua amizade.»

O chefe tapuia tomou uma de suas flechas; arrancou o farpão e deu ao mensajeiro a haste emplumada com azas negras do anun, que era o emblema guerreiro de sua nação.

—Toma; entrega ao grande chefe araguaia o penhor da aliança.

Murinhem partiu e foi á taba dos tocantins levar igual mensajem. Itaquê escutou o que lhe mandava Ubirajara e respondeu: