—Então a desgraça é essa?
—Sim, senhor. Ella não se esquece de ninguem, não é justo que os outros, que podem mais, se esqueçam d'ella...
—Ora, não lhe falta nada.
—A mim parece-me que lhe falta tudo. Quando qualquer de nós faz annos, o senhor dá uma festa e mamãe arranja surprezas... Ella é como se fosse outra filha. Quando Rachel esteve doente, eu ia dormir para a minha cama e era Nina que fazia de irmã, velando ao pé da doente... Entretanto...
Francisco Theodoro contemplou a filha com attenção.
—Acaba.
—Quando Rachel ficou boa, toda a gente se congratulava com papae, com mamãe, commigo, mesmo com a Noca, e ninguem se lembrou dos sacrificios de Nina. O senhor diz: não lhe falta nada. É o que parece. Basta dizer que se quizer fazer a esmola de um vintem precisa de pedil-o ao senhor ou a mamãe.
Foi uma maçada eu não ter-me lembrado hontem! Ella não tem chapéu...
—Quem te lembrou isso hoje?
—Lembrei-me eu mesma, quando tirei a folhinha...