Nessa noite teve de sujeitar-se a dormir com a tia Joanna. Lembrando-se das pernas inchadas da velha, teve um arrepio e saudades do seu leito branco coberto de filós delicados. A tia mexia-se, benzia todo o quarto, rezava a meia voz, sacudia a roupa que toda cheirava a incenso, e com a vigilia da velhice perturbava o somno da menina. Foi no meio do silencio da casa, que irromperam de repente, lá do fundo, uns gritos lancinantes.

Ruth sentou-se na cama, com os olhos arregalados.

—Que é isto, tia Joanna?!

—Não é nada ... ha de ser a maninha batendo na Sancha...

—Meu Deus!

—Não é nada, dorme, minha filha!

—Oh!... tia Joanna, vá lá dentro ... peça a titia p'ra não dar na coitada!

—Eu?! não ... a negrinha merece ... maninha não gosta de intervenções... Sancha faz espalhafato á tôa.

—Vou eu.

Ruth, em fraldas de camisa, de pernas núas, saltou para o chão, com um movimento de colera, e sahiu para a sala de jantar; já não havia luz; guiada por uma claridade frouxa, do fim do corredor, correu para a cozinha, onde a D. Itelvina surrava a pequena com uma vara de marmelleiro.