A negrinha mal se livrava com os braços, tapando o rosto e abaixando a cabeça. Ruth saltou para o meio do grupo e segurou a vara que ia descahindo sobre a carapinha da outra.

—Isso não se faz, tia Itelvina! isso não se faz! gritou ella com impeto, crescendo para a tia, que estacara boquiaberta.

—Você não tem nada com o que eu faço. Este diabo botou de proposito gordura na agua do meu banho ... eu sei porque dou. Ella merece. Ruth, vá dormir.

—Não vou; mande a Sancha deitar-se primeiro. A senhora não tem coração?!

—Ora vá-se ninar! Sancha, p'r'aqui!

A negrinha tinha-se refugiado a um canto, perto do fogão, e exaggerava as dôres, torcendo-se toda, amparada pela compaixão da Ruth.

D. Itelvina avançou os dedos magros, e, agarrando-a por um braço, puxou-a para si; a sobrinha então abraçou-se á negrinha, unindo a sua carne alva, quasi núa, ao corpo preto e abjecto da Sancha.

—Bata agora! tia Itelvina, bata agora! gritava ella, em um desafio nervoso, sacudindo a cabelleira sobre os hombros estreitos.

D. Itelvina atirou fóra a vara e disse para a negra:

—Vae-te deitar, diabo! foi o que te valeu... Mas nós havemos de ajustar contas...