Sancha esgueirou-se para um quarto escuro, onde os ratos faziam bulha, e Ruth, arrepiada, tremula, voltou silenciosa para o quarto da tia Joanna.
A velha amarrava um lenço na cabeça. A sobrinha interrogou-a:
—É sempre assim?
—Não ... uma vez ou outra.
—Mas como podem viver neste inferno?!
—Ora, você não sabe. A Sancha provoca. Maninha anda desconfiada que ella lhe deita vidro moido na agua, e na panella ... é uma coisa ruim. E ladra, ih! Você sabe o meu genio, não sei guardar chaves... Pois é raro o dia em que a Sancha não me fique com alguns tostões das missas... Maninha corrige-a para bem d'ella. É um sacrifício... Eu não teria paciencia para a aturar.
—A Sancha vae amanhã commigo para casa.
—Está doida, menina! e quem nos ha de fazer o serviço?
—Aluguem uma mulher.
—Ruth ... você é muito creança ... não pense na Sancha. Ella faz tudo quanto pode para excitar maninha... Eu se digo, é porque sei. Ainda hontem queimou-lhe de proposito os chinellos novos, com o pretexto de os ir seccar ao fogo. A minha roupa, lava ella; a da maninha deixa-a apodrecer na beirada do tanque. É uma coisa ruim!... não pense mais nella. Durma...