Nina mudou de vestido á pressa e desceu.

Encontrou dois criados boquiabertos em frente ao espelho, prevendo desgraças, suggestionados pela influencia da Noca.

—Que pena! um espelho tão rico ... murmurou Nina machinalmente, pensando na Paquita.

—O caso não é o dinheiro. Eu cá não tenho pena, tenho medo.

—Agora que se ha de fazer? ter paciencia e esperar, disse Nina com um sorriso pallido.

—Esperar! Diz você muito bem. Foi uma vontade mais forte que fez aquillo, temos que esperar grandes coisas. Noca não falla á toa. Vocês verão. É melhor não dizer nada a nhá Milla.

—É melhor...

No dia seguinte, quando o Dr. Gervasio entrou no jardim de Camilla, encontrou-a no terraço, rescendente e fresca no seu peignoir marfim pontilhado de ouro.

—Como estás linda! murmurou elle pegando-lhe na mão, que ella deixou beijar á grande luz, como se a ausencia de Mario cegasse todos de casa.

E o casamento de Mario fôra um allivio para ambos. Estavam livres d'aquella testemunha importuna, que tinham de respeitar. Milla bemdizia aquelle casamento, que a libertava de uma humilhação constante, levando-lhe o filho para as terras do luxo e do prazer. Separando-se, elle ia ser feliz. Que mais poderia desejar um coração de mãe?