Foi nesse mesmo dia, á tarde, que Francisco Theodoro chegou sombrio a casa e, em vez de subir, como de costume, encerrou-se no escriptorio, em baixo. Camilla entrou da rua mais tarde, sacudindo-se á pressa pela escada acima.
Durante o jantar só ella fallava, muito risonha, rescendendo á essencia com que Gervasio a pulverisara pouco antes no chalésinho dá Lagoa, onde escondiam o seu amor. Aquelle perfume era como que a alma d'elle que ella trouxesse comsigo.
—Que linda tarde! olhem para o jardim, exclamou ella, apontando para fóra com a mão fulgurante de anneis.
Era um pôr-de-sol maravilhoso.
—Tudo côr de rosa! Parece-me que o jardim nunca teve tantas flores. Como isto é bonito! E ha quem falle mal da vida; e ha idiotas que se matam!
Francisco Theodoro cruzou o talher sem ter comido.
—O senhor está doente? perguntou-lhe Nina.
—Não tenho vontade de comer, mandem-me o café ao jardim.
Camilla contemplou-o com magua e explicou aos outros:
—Elle está impressionado com o casamento de Mario. Meninas, vocês procurem entreter e distrahir seu pae. Mande guardar um copo de leite para elle, Nina; seu tio não pode ficar assim. Deus queira que elle não me fique doente...