—Adiaremos ao menos a ... a catastrophe.
—Ora! o Sidney! ha de dizer o mesmo que os outros! Olhe, tenho aqui justamente uma carta d'elle, que ainda não abri. Vou lel-a agora.
Francisco Theodoro sentou-se, muito pallido, e rasgou o sobrescripto com mão tremula. O guarda-livros desviou a vista. Houve depois da leitura uma grande pausa, em que o silencio pesava; ao fim de alguns minutos o negociante ergueu-se e começou a passear nervosamente de um lado para o outro. De vez em quando lançava uma pergunta pueril ou distrahida:
—Que dia é mesmo hoje?
—29...
—Ah!... sim ... 29 ... é isso ... 29 ... 29 ... repetia elle baixo.
Os outros calavam-se.
O sol entrava com força pela sacada aberta; Francisco Theodoro poz as folhas da janella em fresta e voltando-se atravessou vagarosamente e em diagonal o escriptorio até o canto da talha, cujo barro começou a raspar com a unha.
Da rua vinha uma bulha ensurdecedora: rolavam conjunctamente carroças e vozes praguejantes; os chicotes estalavam no ar e, em grossas nuvens de pó, o cheiro do café crú subia na atmosphera quente.
Subito, Francisco Theodoro voltou-se para o guarda-livros e disse com voz segura: