—Ah, você!
Nina sorriu e foi abrir a porta ao criado do Dr. Gervasio, que entrou trazendo a correspondencia, jornaes e uma carta para Francisco Theodoro, que o carteiro levara ainda á rua dos Voluntarios da Patria.
—Você esteve lá em casa outra vez?! perguntou Milla admirada.
—Sim, senhora. Fui lá com seu doutor, um homem gordo, seu Serra e mais o leiloeiro.
—Já! Andaram depressa!... Olhe, é bom avisar o carteiro.
—Seu doutor já avisou.
—Bem; póde ir...
A carta era de Sergipe. O pae de Camilla queixava-se de doenças e de atrazos; estava muito velho, pedia recursos ao genro. D. Emilia andava ameaçada de congestão; o Joca internara-se com a familia para o interior, por mingua de empregos, a Sophia fôra pedir-lhe agazalho por ter brigado com o marido e as outras duas filhas iam indo.
Desde a primeira até a ultima palavra arrastava-se um suspiro lamentoso de pobreza e de inercia.
Quando Camilla acabou de lêr a carta, deixou-a cahir aberta sobre os joelhos e calou-se muito pallida. Ruth soluçava com a cabeça deitada na mesa. Ouvira as supplicas, mas o que a alterava não eram os cuidados do avô, era o destino d'aquelle sobrescripto que ella tinha deante dos olhos, com o nome do pae, que, na illusão da vida, viera de longe, impellido por varias mãos desconhecidas e que, chegando ao final, não encontrava ninguem!