—Vovó! É D. Alice!

Mas a avó de Gloria, reprehendendo o enthusiasmo da neta com um olhar, cumprimentou a moça de um modo quasi imperceptivel. O barão precipitou-se, para um aperto de mão e para apanhar a bolsinha e o lenço da mulher, pousados no sofá.

—Meu quarto está prompto? Perguntou a baroneza, como se falasse a uma criada.

—Está... sim, minha senhora... queira seguir-me...

—Não é preciso: eu sei o caminho; Gloria! vem tu commigo!

A baroneza abriu a porta do corredor e arrastando a neta sahiu, acompanhada pelo marido, que levava as mãos cheias de embrulhos, fingindo-se muito atrapalhado com elles.

Alice sorriu. Certamente a vida é ás vezes bem amarga e dura de ganhar!... Que deveria ella esperar?.. fosse o que fosse, esperaria até ao fim!

[XVI]

Padre Assumpção morava para os lados da Lapa, numa casa encravada no morro de Santa Thereza, velha e esguia como uma torre, com frente de dois andares para uma rua tranquilla e fundos rentes a um jardimzinho bem cultivado.

Entre o habitante e a habitação havia certas analogias de fórma e de caracter. Tinham ambos a silhueta fina e o aspecto melancolico e fatigado. E se as paredes grossas, da velha construcção, davam a idéa da firmeza que o vulto ossudo do padre suggeria, as rosas brancas entrelaçadas junto ao telhado, no jardim do morro, fariam lembrar a doçura dos seus sentimentos impregnados de idealidade...