—É preciso.
—Se Gloria lhe pedisse para ficar... Ella é tão sua amiga...
—Nem assim...
Argemiro levantou-se e disse com voz grave e resoluta:
—Tem razão. O seu logar não é aqui, agora que a vi e a conheço. Só lhe peço uma coisa: que me consinta ir amanhã á sua casa, em companhia de minha filha... pedir-lhe perdão...
Alice esboçou um gesto de protesto. Receava chorar se fallasse.
Elle approximou-se e ficaram ambos calados, adivinhando-se atravéz do silencio, até que Maria da Gloria gritou da porta:
—D. Alice! o Feliciano já levou a sua mala!
Dois mezes depois, numa linda manhã, os barões assistiram ao casamento de Argemiro e de Alice, feito por Assumpção, testemunhado por Adolpho Caldas, Telles e D. Sophia.
A ceremonia foi simples e sem lagrimas. A baroneza conteve-se. Muito pallida, d'entre as sedas negras do vestido, ella adquirira pelo esforço energico da vontade, uma rigidez de estatua. Nem um musculo das faces lhe tremia. Com as mãos pousadas nos hombros da neta, ella parecia olhar para tudo como do alto de uma torre, imperturbavelmente.