A baroneza suffocou o desejo de indagar do criado aquillo que mais queria, e recomeçou a trabalhar, limitando-se a offerecer:

—Entre, Feliciano; vá lá dentro tomar uma chicara de café.

—Obrigado; tomei lunch lá em casa antes de sahir... apesar de que agora anda tudo muito contadinho...

—Isso é bom. O tempo não está para estragos...

—Sim, mas poupa-se de um lado para se gastar do outro; afinal, para o patrão as despezas talvez sejam maiores... D. Alice tem uma récua de parentes pobres... Para a gente ás vezes o pão não chega, entretanto não bate bicho-careta na porta que ella não dê do bom e do melhor do armario. Até vinho.

—Até vinho! exclamou inconscientemente a baroneza; e logo, reprimindo se: a caridade é aconselhada por Deus...

—Mas deve começar por casa... A senhora não diga nada ao patrão, porque elle agora é só: D. Alice na terra e Deus no ceu!

—Ah...

—A senhora sabe que eu sempre fui um empregado de confiança, que punha e dispunha de tudo como entendia; pois hoje não posso mover uma palha, que não me tomem satisfações. Ella, com o seu modo de santinha, faz tudo quanto lhe dá na cachóla! Eu não gosto de fallar, mas... ha certas coisas... hontem não affirmo, mas pareceu-me que D. Alice trazia no peito um alfinete...

A baroneza pousou a costura nos joelhos e levantou os olhos para o negro.