Ia escolher as árvores em que teriam de ser enforcados os tres cegos.

Logo ao descer os degráus do terraço viu o velho Garçolindo, o mais sábio jardineiro do Castelo, que estava a regar um canteiro de junquilhos brancos.

—Garçolindo, disse ela com voz autoritária, mostra-me o mais belo Salgueiro do meu jardim, que seja bastante forte para que nele possa ser enforcado um homem...

O velho jardineiro sabia de quem se tratava e caiu de joelhos, suplicando de mãos postas:

—Perdoai-lhe, Senhora! Para que querereis matar quem da vida só goza a metade? Não bastará para seu castigo não poder ele vêr o que nós vemos?

A Princesa redarguiu severamente:

—Se não queres que te aconteça o mesmo, Garçolindo, leva-me onde eu te disse.

O velho jardineiro ergueu-se com um gemido, e caminhou diante dela, chorando baixinho.

A sua cabecinha toda branca resplandecia á claridade nascente, como uma flor de luar. E assim andando chegaram té á beira de um lago em que nadavam cisnes.

Ali estava a reflectir-se n'água o maior Salgueiro do parque real.