Gratidão.
Nem só os olhos da cara
Vêem o que vai pelo mundo:
Ha outra vista mais clara,
Ha outro olhar mais profundo.
Com esse olhar, menos lento,
De olhos de mais atenção,
Vê mais longe o Pensamento,
Vê mais fundo o Coração.
FILINTO DE ALMEIDA.
ERA UMA VEZ...
Quando a Princesa Edeltrudes nasceu, era tão pequenina, tão pequenina, que poderia dormir á vontade dentro de um dos sapatinhos da Rainha sua mãi. Mas o berço em que a meteram era muito lindo, todo de fios de ouro entrelaçados e grinaldinhas de folhagens e de rosas, simuladas por esmeraldas o rubins.
Com medo de que a sua fragilidade a matasse, bafejaram-na, amimaram-na, rodearam-na dos mais extremados carinhos...
E a Princesinha resistiu, e foi crescendo cheia de vontades imperiosas.
Era ainda muito tenrinha quando um dia a mãi, ao embala-la com as suas próprias mãos côr de cêra, deixou cair a cabeça sobre o peito e adormeceu... E assim como o berço deixou de oscilar, parou no peito da Rainha o coração.
Houve gritos, lamentos, correrias, mas a criança no meio das suas rendas não percebeu cousa alguma e nem um estremecimento sacudiu a carnação rosada do seu corpinho rechonchudo.