Então, o mais novo dos cegos, erguendo o rosto iluminado, como se tivesse na fronte uma corôa de estrelas, respondeu:
—Senhora, o seu nome é—Imaginação!
Houve um suspiro de alívio em toda a sala. Uma doce onda de sangue tingiu de rosa as faces da Princesa e, sem se poder conter, ela exclamou com entusiasmo:
—Pois abençoada seja a Imaginação, que até faz vêr os cegos! Ide em paz!
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Romperam hinos de glória na galeria dos Deuses. As dançarinas voltearam com alegria em torno dos lagos do parque. Do alto das torres voaram os pássaros, em revoada, espantados pelo repicar dos sinos, e o jardineiro dos cabelos côr de luar veio depôr aos pés da sua real Senhora a mais linda braçada de flores que jámais se viu.
E, ó milagre! desde esse dia a Princesa olhou com atenção carinhosa para todas as cousas e dispensou protecção e bondade a toda gente, convencida bem no fundo d'alma, que o peor cego é o que não quer vêr...