Reconhecendo no cego o mesmo homem que vira e ouvira na véspera, ela falou desta maneira, com palavras claras e espaçadas:
Eu, Princesa deste Reino, autorizada por El-Rei, meu Pai, incumbo-te de descer ao fundo do mar e vir narrar-me depois tudo que nele tiveres visto, desde a beira da praia até ao seu ponto mais fundo... Esperarei tres dias pela resposta; se não a trouxeres a meu contento, mandar-te hei enforcar no mais alto Salgueiro do meu jardim.
Lívido de susto, o pobre homem pôz as mãos em ar de súplica e murmurou:
—Mas, Senhora, eu sou cego. E quem poderá ir ao fundo do mar e voltar dele com vida?
—Não permito objecções! gritou a Princesa; faze o que ordeno ou serás enforcado hoje mesmo!
O cego foi retirado em braços pelos guardas.
Um calafrio de horror percorreu toda a assembléa; mas ninguem ousou balbuciar nem uma só palavra.
Entretanto a Princesa sorria...
O segundo céguinho trazia no rosto pálido de adolescente um vislumbre de esperança. A moça contemplou-o demoradamente. Depois disse:
—Eu, Princesa deste Reino, autorizada por El-Rei, meu Pai, incumbo-te de viajar pelos espaços e vir contar-me depois, de viva voz, tudo que tiveres observado com os teus próprios olhos... Dou-te tres dias para isso. Se não trouxeres uma resposta a meu contento, mandar-te hei enforcar na mais alta Acácia do meu jardim...