—Como está? pergunta-lhe o director.

—Sempre estou boa! responde ella.

—Ah! E então?

—Então sardinha com pão![{72}]

E, sem mais nada, enfurece-se, grita, ameaça, quer saltar, terrivel, hedionda, como se a noite e as Parcas lhe desenhassem no semblante as caretas da loucura.

Um moço esbelto e forte conserva-se de gravata de coiro, para não poder dobrar o pescoço—porque se morde.—Um velho grita por tal fórma, que ás vezes, de noite, as patrulhas de Arroios têem ido, sem saber o que é, em procura do sitio de onde vem aquelles ais...

Passados dias,—por não haver trazido apontamentos dos furiosos na primeira visita que fiz a Rilhafolles,—tive de voltar ali.

A tarde declinava, e os ultimos raios do sol iam a despedir-se d'aquellas[{73}] tristes paredes. Ao passar com o sr. dr. Guilherme Abranches, que teve ainda a bondade de me acompanhar, por um d'aquelles corredores que serpenteiam ali em todas as direcções, vi dois homens sentados á porta de um quarto.

—Estão de guarda ao cadaver! disse-me o director.

Entrámos no quarto, vi um embrulho no chão, como que o corpo de um homem amortalhado,—um boneco, suppuz eu,—e duas tochas ao lado.