A sina vae de geração em geração. De Aben-Afan diz Garrett no poema de D. Branca:
Por onde o traz seu fado?
Oh! negra sina entrou n'essa familia...
Querem dizer que todos vêem ao mundo destinados já para o que hão de ser; por este systema, a vontade, o juizo, e a educação, não têem força alguma; nascem uns para padres, outros para sachristães, estes para ricos, aquelles para pobres; até se diz que muitos nascem para ladrões, e que não podem deixar de o ser: ia á casa de pasto do antigo Simão um freguez, que a unica coisa que[{210}] não furtava era a má fama que tinha. Levava as colheres, os guardanapos, tudo o que podia apanhar. O Simão tinha muito dó d'elle, por entender que não fazia com aquillo senão obedecer á sua sina; deu ordem para não se lhe dizer nada, e de uma vez quando o homem pediu a conta teve o gosto de ler:—«Pratos 800 réis.»
—Que é isto! exclamou. Então vocês mettem os pratos na conta?
—Cuidei que o senhor os levava! disse-lhe o criado.
A sina é o que a gente a faz ser. A inteireza e o trabalho, que são os cimentos do commercio da vida, dão resultado certo. Até o tempo faz sempre justiça, e apesar[{211}] de destruir, por maiores que sejam, os monumentos, apesar de arrasar thronos e imperios, respeita certos nomes e conserva-os levantados como pharoes no horisonte da historia e do pensamento. A felicidade não póde estar senão em se ser gente de bem. Tirar a Deus a tutela do mundo para a ir dar a um poder meio fadista a que se chame sina, parece-me uma impiedade e uma tolice![{212}]
XII
Coisa má
«Coisa má!»