E o mesmo succede a tudo que tiver «coisa má;»—o amor, a formosura, a mocidade: tres coisas realmente boas; as tres coisas[{226}] melhores que ha; e tambem as que mais depressa fogem,—que até têem azas como os anjos, e voam como as andorinhas!
Nas familias portuguezas o terror pela «coisa má» tem variado muito, e chegado por vezes a ser jocoso. Houve tempo em que mettia medo quem sabia fallar francez. Não se queria matar os meninos com estudos; o estudar fazia mal. Lembravam-se dos exemplos da antiguidade, e do fim desgraçado de homens notaveis,—Euripides despedaçado por uma matilha de cães, Cicero degolado, Socrates succumbindo ao veneno! Destinavam um a mercador, outro a cadete,[{227}] o mais gordinho ia para padre. Em todo o caso—nada de fallar francez. Dizia-se de um rapaz:
—É um extravagante. Jogador, caloteiro. Bate no pae... Até me dizem que falla francez!
—Sério? perguntavam todos.
—Ha quem o ouvisse.
Depois, e já no meu tempo, inspirava igual panico usar chale-manta quando appareceram os primeiros em Lisboa.
—É um bregeiro, dizia-se. Não é limpo de mãos...
—Sim, sim.
—Deixa andar a mãe a pedir esmola...
—Sim senhor.