—Cautela, cautela, Anna, olha que me enfarinhas!—advertiu Mauricio, tentando fugir-lhe.
—E que tem que te enfarinhe! Olh'agora? A farinha é pão, e o pão vem de
Deus.
E sem precauções nem reparos apertou o corpo delgado de Mauricio nos seus robustos braços, deixando-lhe na roupa vestigios evidentes d'este cordial amplexo.
—Vês, vês?—dizia Mauricio, sacudindo-se—olha em que preparo me puzeste, ama! Estou asseiado!
—Sim? Pois melhor para ti, que já tens que fazer, e não me andas por ahi a vadiar e a fazeres-me doidas as moças cá da terra com as tuas bregeirices. Sahiste-me boa rez! não tem duvida nenhuma!
E pronunciava isto com um modo, acompanhava-o com um olhar tal, que fazia temer a imminencia de um outro beijo e de um outro abraço.
Mauricio continuava sacudindo-se.
—O mal que tenho, vem do leite que bebi—dizia elle no entretanto.
—Hum!—acudiu a ti'Anna com um gesto de soberba.—Conta-me d'essas! O que vos valeu, meus fidalguinhos de torrão de assucar, foi trazer-vos eu a estes peitos, senão o que seria feito do vosso corpinho de vime? Olh'agora! ieis como foram indo vossos irmãos mais velhos, e aquelle anjo de vossa irmã, que ainda hoje me resta a pena de não ter creado tambem. Mas quem adivinha vae para as casinhas.
—Aos preparativos que estou vendo—observou Mauricio—ha grande fornada para hoje.