Effectivamente appareceram dois rapazes, empunhando cada qual uma caneca a trasbordar de purissimo vinho verde, que os dois caçadores esvaziaram de um fôlego.

—Ah!—disse o doutor, no fim da libação—Não te arrenegues, Clemente, que não és mau rapaz a final. Estás muito soberbo com a tua regedoria, mas isso ha de passar-te. Ora agora fica sabendo que na quinta do Cruzeiro, desde tempos immemoriaes, encontra asylo quem ahi se acolher.

—Mas o senhor sabe que a lei pune a quem der escondrijo a um refractario. Parece-me que um doutor não póde deixar de saber estas coisas.

—A lei diz muita coisa, que todos nós sabemos; mas deixa lá a lei, que está quieta.

—Mas se o snr. administrador ordenar uma busca na casa…

—Que veja se se mette n'isso—acudiu o abbade, sorrindo ameaçadoramente.

—Tem direito para o fazer—questionou Clemente.

—Pois que se contente com o direito.

Clemente ia-se irritando.

—Mas é preciso pôr côbro a isto, meus senhores. Não se póde soffrer que em tempos de leis e de authoridades, haja uma casa onde nem lei, nem authoridade entram.