—Sim, Bertha, deram-me essa resposta, que muito me alegrou; mas desejava saber da sua bôca se foi de livre vontade e por que lh'o dictava o coração que a deu assim.
—Por minha vontade foi. Ninguem me obrigou a responder como respondi. Agora se foi do coração… Era sobre isso mesmo que desejava fallar-lhe, snr. Clemente.
Clemente respondeu um pouco inquieto:
—Falle, Bertha, que eu escuto-a com attenção.
—Snr. Clemente, devo ser franca e leal comsigo, e fazer-lhe uma confissão completa dos meus sentimentos, para que pense bem antes de se resolver a dispôr assim do seu futuro. Não posso dizer que fosse o coração que me dictasse a resposta que dei. Se o dissesse, nem o snr. Clemente me acreditaria; não é verdade? Bem vê, eu mal o conhecia, quasi que nem tinhamos fallado ainda, eu vivi até agora longe de si e nenhum de nós costumava pensar no outro. Pois não é assim? Quando ouvi a sua proposta, surprendeu-me por inesperada; respondi como sabe; mas é claro que não podia ser do coração a resposta.
Clemente fez um gesto de assentimento, mas tornou-se melancolico.
—Mas, perguntará o senhor, porque respondi eu então assim, tão prompta, sem hesitar? Vou dizer-lh'o, snr. Clemente, vou dizer-lhe toda a verdade, e resolva depois o que deve fazer. Eu não podia esperar que o coração respondesse, porque sabia que elle já não podia dizer que sim a uma proposta d'aquellas.
Clemente, que julgava comprehender o enleio crescente e as palavras hesitantes de Bertha, iníerrompeu-a dizendo:
—Já? disse que já não podia? Já? Bertha teria acaso alguma inclinação a que o meu pedido viesse causar mal?
Bertha, córando, replicou firmemente: