—Bertha, vae chamar Jorge. Que me venha fallar. Preciso de conversar com elle quanto antes.
Bertha sahiu do quarto com os olhos arrasados de agua.
Aquellas palavras tinham para ella uma dolorosa significação.
D. Luiz que mandava chamar o filho mais velho, o directo successor do seu nome e da sua casa, era por que um d'aquelles presentimentos, que nos advertem da proximidade da nossa hora final, indicava-lhe ter chegado a occasião de despedir-se do filho e de dar-lhe os derradeiros conselhos de pae.
Todos nos Bacellos formaram a mesma conjectura. Jorge ergueu-se precipitadamente do leito, assim que soube que o pae lhe queria fallar.
A nova espalhou-se em toda a casa e pôz todos em alvoroço. Em breve transpirou fóra que o fidalgo da Casa Mourisca já se despedira dos filhos, e que em poucas horas seria com Deus.
Á casa de Thomé e da Anna do Védor chegou a noticia e trouxe até os Bacellos esses antigos commensaes da familia, cujo representante actual chegava á hora mais solemne da vida. A boa Luiza acompanhou o marido no intento de oferecer os seus serviços n'aquelles momentos de dôr e confusão.
Jorge entrou commovido e pallido no quarto do pae, onde ninguem mais o seguiu.
O pobre rapaz ia preparado para uma scena dilacerante; esperava assistir á agonia do velho.
Tremiam-lhe as pernas ao aproximar-se do leito.