D. Luiz percebendo-o chegar, dirigiu-se-lhe com voz debil mas firme:

—És tu, Jorge?

—Sou eu, meu pae.

—Chega-te mais para aqui. Assim.

E fitando o filho com o olhar ainda cheio de expressão e vida, continuou depois de um demorado silencio:

—Jorge, tu não és feliz.

Jorge olhou para o pae, espantado pela inesperada observação que lhe ouvia.

—Tens uma nobre alma, tomaste sobre os hombros uma pesada tarefa, dedicaste ao cumprimento d'ella a tua vida inteira, e como se isso não fosse bastante, sacrificaste-lhe ainda os teus mais ardentes affectos. Jorge, não será o sacrificio superior ás tuas forças?

Jorge baixou a cabeça sem responder.

A estranheza causada pelas palavras do pae, tão differentes das que esperava, perturbara-o a ponto de não saber o que dissesse.