—E depois?

—Entramos no theatro, seriam dez horas, íamos todas mascaradas. Por signal que me ri muito com a mascara que levava a irmã do major. É notavel! foi a primeira que appareceu, e tinha alguma similhança com a cara d'ella. Assim como estas caricaturas, que logo á primeira vista se conhece de quem são.

E Cecilia quasi se distrahia com a incidente reflexão ácerca da mascara;
Jenny chamou-a porém ao assumpto.

—Mas vamos ao que lhe succedeu.

—Ah! é verdade. Andamos primeiro por alguns camarotes, em que estavam senhoras do conhecimento das minhas companheiras e a quem ellas fallaram, sem serem conhecidas. Diverti-me com isto. Que graça achei a uma senhora idosa, a quem se metteu na cabeça que nós eramos umas suas parentes de Braga, terminando em chamar-me a sua Joanninha! Coitada! ficou tão desconsolada, quando, espreitando-me os cabellos, conheceu que se havia enganado, que deveras fazia pena!—«E não é! veem, que tristeza a minha?!»—dizia ella tanto do coração, que eu não tive mão em mim, que a não abraçasse e beijasse; arrisquei-me assim a ser vista e a dar a conhecer as outras, que depois muito me ralharam por causa d'isto. Mas se eu não pude!

—Vamos—disse Jenny, sorrindo á sensibilidade da amiga.—E o resto da noite?

—Ai, Jenny, o resto da noite…—respondeu Cecilia, suspirando, como se lhe fosse custosa a confissão, e continuou:—Entramos na sala. Nunca foi a um baile d'esses? Pouco perdeu. Que calor! que confusão! Um quarto de hora depois de alli entrar, já suspirava por saír; mas ellas nem pensavam n'isso. Era meia noite talvez, vim sentar-me, cansada, enfastiada de todo aquelle tumulto.

N'este ponto Cecilia parou, como se o que tinha para dizer lhe causasse maior perturbação.

Jenny não pôde deixar de sorrir pela similhança que esta parte da confidencia tinha com a do irmão.

—Pouco tempo depois—proseguiu Cecilia—veio sentar-se junto de mim… uma pessoa…