Tirando o lenço das mãos de Manoel Quentino e entregando-o á irmã, disse, com entonação de intelligencia, para esta:

—Tens razão, Jenny. És tu, a quem compete entregal-o. Acredita que foi por esquecimento que eu não te fallei n'este… roubo… O que reputo uma felicidade.

—Porquê?—perguntou Jenny, fazendo-se séria.

—Por… por causa da surpreza que veio agora causar ao nosso amigo
Manoel Quentino.

—Não, eu só estranhei…

Jenny mudou o assumpto da conversa.

Carlos ficou pensativo. Voltou á plateia, ao principiar o segundo acto. Todos lhe estranharam a distracção e a indifferença com que assistia á discussão, que ainda durava, sobre o facto da pateada.

Nem mais attenções lhe mereceram os cantores e a opera.

Jenny observava-o do camarote, e não deixou de reconhecer essa indiferença na posição invariavel, em que elle se conservou durante dois actos e um intervallo inteiro, como alheio a tudo o que em volta de si se passava.

—Que resultará agora de todo aquelle meditar?—pensava a irmã.