Ao principiar o ultimo acto, Carlos voltou ao camarote.
Manoel Quentino, não podendo luctar mais tempo contra a força do habito, adormecera. Mr. Richard estava absorvido em um dialogo, com um seu compatriota, de cabellos e suissas côr de neve, gravata da côr das suissas, e tez côr de rosa de Alexandria; fallavam nos triumphos lyricos da celebre Malibran, que ambos tinham, quando rapazes, escutado em Londres; no estylo de canto da phenix dos tenores—o famoso Rubini, o qual haviam admirado em 1831, no Queen's Theatre; no D. Giovanni, de Mozart, musica de que nunca se saciam os tympanos britannicos; e na Beggar's Opera de Gray—protesto do gosto nacional contra a escola italiana, que se riu do protesto.
Carlos, sentando-se junto da irmã, podia pois julgar-se a sós com ella.
—Então a minha bella incognita do dóminó de seda…—principiou elle.
Jenny olhou receiosa para Manoel Quentino.
—Não tenhas mêdo—disse Carlos.—Dorme e ameaça resonar.
—Estás agora convencido, Charles—disse Jenny ainda a meia voz—da verdade do que eu te dizia aquella manhã?
—A respeito?…
—A respeito da tua aventura da noite de carnaval. Cecilia é uma menina bem educada e de grande delicadeza de sentimentos. Deu imprudentemente aquelle passo, que Deus sabe quantos desgostos lhe poderia vir a causar, se a tua generosidade não prevalecesse a final sobre as tuas… loucuras; como ha de continuar a prevalecer ainda, assim o espero. Não estiveste tu mesmo para a perder no conceito dos que a não respeitam, porque a não conhecem? Não terias agora remorsos?
—Mas Cecilia…