—Tanto póde, que elle lá está.

—Lá! Aonde?

—Na sala das visitas.

—Pois mandou-o entrar?! Valha-me Deus!

—Então que havia eu de fazer? Se elle procurava a menina… Não, a delicadeza não fica mal a ninguem; sobre tudo com pessoas delicadas tambem. Havia de ver que modos aquelles tão bonitos! Obsequio vae, obsequio vem; senhora para aqui, senhora para alli; não é lá como estes cabouqueiros, que ás vezes veem por ahi, que julgam que todos foram creados a borôa e a caldo verde, como elles. Não, senhora; bem se vê que este é pessoa fina…

—Mas… é impossivel. Ha engano; não póde ser a mim que elle procura…
Você ouviu bem?

—Ouvi, menina, ouvi. Ora que scisma! Graças a Deus não estou tonta de todo. Ia agora deixar entrar assim, sem mais nem menos, um homem pela casa dentro, sem ouvir, sem perguntar… Credo, menina! melhor conceito faça de mim. Olhem agora! Ora essa não está má! Não, se eu não entendia aquillo, estava bem servida com a minha vida! Por as palavras se entende a gente e nosso Senhor nos dê sempre ouvidos para ouvir, olhos para ver e juizo para entender. Amen.

—Está bom, está bom. Já agora não ha remedio senão ir ver quem é. E o pae não estar em casa!…

—Ora não temos nenhum ataque de ladrões. Nem que fosse alguma cousa do outro mundo… Se a menina estivesse só, não digo … mas na companhia de uma pessoa de … de representação…

Cecilia parecia ainda irresoluta.