—Que lhe disseste?
—Confessei-me culpado de quanto tivera logar n'aquella noite do baile e… pedi-lhe perdão…
—E ella?…
—E ella…—proseguiu Carlos, pousando emfim o colar—depois de algumas modestas hesitações… perdoou-me.
—Ah! Charles, Charles! Essa tua cabeça!…—disse Jenny a meia voz, e com inflexão benignamente reprehensiva.
—Então—tornou-lhe Carlos com modos de ligeiro enfado—Não fiz bem? Não era esse o meu dever? Eu esperava até que me applaudisses a acção e tu…
A estas palavras Jenny não pôde reprimir um movivento de impaciencia; arredou a costura em que trabalhava, tomou as mãos de Carlos, e fitando nos d'elle os olhos limpidos e serenos, como o céo de primavera, perguntou-lhe com um meio sorriso:
—Falla-me a verdade, Charles. A verdade só, entendes? Para que procuraste tu Cecilia?
—Que pergunta! Pois não te disse já? Não era do meu dever?…
—Não, não era. Melhor seria fingires sempre que ignoravas tudo, do que dares áquella pobre menina motivo para córar na tua presença. Esse acto, que dizes eu devia applaudir, não partiu do teu coração, que é muito bom e muito generoso, partiu mas foi d'esta cabeça—e pousava-lhe a mão na fronte;—d'esta cabeça, que é uma estouvada.