É certo porém que Manoel Quentino, saíndo da igreja com a filha, encaminhou-se para o cemiterio.

N'aquelle cemiterio repousava a mãe de Cecilia, e raro era o domingo em que Manoel Quentino, depois da missa, não ia orar alli, junto da sepultura da esposa.

Quando Carlos percebeu a direcção, que elles seguiam, era tarde para retirar-se. Manoel Quentino já o tinha visto; Cecilia tambem.

O pae sorriu-lhe com familiaridade; Cecília córou, ao corresponder ao acanhado cumprimento de Carlos.

—Então veio orar pelos mortos?—disse Manoel Quentino, com malicia.

Carlos encetou vagas explicações da sua presença alli.

—Pois se veio orar pelos mortos, achou companhia—continuou o velho;—que eu, infelizmente, tenho aqui por quem o faça. Ora deixe-me ver se encontro o cóveiro, para que nos abra a porta do cemiterio.

E, com este intento, dirigiu-se para a sacristia, deixando sem ceremonia
Carlos só na presença de Cecilia.

Precisarei de dizer que este inesperado e involuntario encontro enleiou sobremaneira os dois? Falla-se muito dos embaraços de uma primeira entrevista. Não serei eu quem os negue; quer-me porém parecer que a segunda é ainda mais difficil de sustentar, quando a primeira não foi de todo insignificante.

O que é verdade é que a imaginação de Carlos não lhe suggeriu uma só palavra que dissesse.