—Bem vê que o patrão quasi nunca está em casa… e é uma menina só…

—E a pequena não tem por ahi já a sua inclinação? Ha de ter…

—Não… Que eu saiba…

—Ha de ter, ha de ter. Hoje em dia! Olhe a snr.ª Antoninha aquella rapariga do Cosme Villas-boas, uma creança se póde dizer… pois o que ahi vae já com ella por causa do filho do escrivão!

—Sim. Então?…

—Ora! nem quero que me lembre! É um desafôro! O pae d'ella, no outro dia, pescou-o a fallar com a pequena, e correu para o rapaz com uma navalha. O rapaz fugiu, e a mãe d'elle veio então á janella e pôz-se a berrar com o velho. Sempre disseram cousas uma á outra aquellas duas creaturas! Um passo assim!

—Não que ha gente n'este mundo!

—O pae pelos modos queria-a casar com o brazileiro, que anda a fazer aquellas casas em Santa Catharina.

—Isso era uma mina para a rapariga!

—Mas então que quer? Virou-se lá para o filho do escrivão.