—Então… manda… manda! Por compaixão, Dick, manda; não deixes martyrisar assim a velha Kate!… Por amor de teus filhos, Dick! Eu não tenho forças para soffrer tanto! Estou muito velha, Dick, muito velha!… tem compaixão de mim!…

E rompia em soluços tão expressivos de dor, que até as criadas não foram superiores á commoção.

Depois encostou a cabeça ao hombro de Carlos, dizendo-lhe ao ouvido, com expressão de susto e de mysterio:

—Foram ellas que me fizeram todo este mal, não foram?

—Não; socega…

—Foram! foram, sim!—bradou, elevando a cabeça com violencia e inflammando-se-lhe outra vez o olhar, que parecia despedir faiscas, como sempre que era contrariada.

—Pois foram, foram; mas…

—Então não fiquemos aqui. Vamos outra vez para a Inglaterra, Dick. Para que me trouxeste tu para esta casa? Para quê?

—Descansa, que havemos de ir; mas é preciso que estejas socegada.

—Estou… não vês que estou?… mas… não me deixes só, não?—acrescentava, com entonação de supplica, quasi infantil.