Carlos proseguiu:
—Cecilia, se veio, foi porque acreditou que havia sinceridade nas palavras que eu lhe disse, não é verdade? Não é verdade que não suspeitará nunca mais que seja um simples galanteio, indigno de si, o que me leva a repetir-lhe uma, e mil vezes, que a amo?
Estas palavras restituiram a Cecilia a consciencia que perdera quasi. O sangue abandonou-lhe subitamente as faces, para cêdo affluir com mais violencia a ellas; saiu-lhe dos labios um grito que mal pôde reprimir, e tentou retirar a mão, que Carlos continuava a segurar nas suas.
—Snr. Carlos!—disse ella, com a voz agitada de sobresalto e confusão.
—Não se retire assim, Cecilia. Nada receie. Amo-a muito, mas respeito-a tanto, quanto a amo; e mais depressa…
Não pôde continuar; um rumor de passos e de vozes, que se ouviu na rua, e já proximo ao portão do jardim, fel-o estremecer.
Teve um presentimento; obedecendo-lhe attrahiu rapidamente Cecilia para dentro do quarto, em cujo limiar se passára esta curta scena, e fechou sobre si a porta com precipitação.
Cecilia olhava-o assustada.
Ia a bradar, quando Carlos lhe pôz a mão na bôca, dizendo:
—Silencio por piedade!