Uma nuvem toldou por momentos o espirito de Manoel Quentino. As suspeitas, mal acalmadas, agitaram-se de novo áquellas palavras.

Carlos, notando-o, acrescentou:

—Não lhe occulto agora que ha muito sinto por sua filha uma affeicão, que em vão procurei combater. Curvei a cabeça ante as suas accusações, Manoel Quentino, não porque me exprobrasse a consciencia alguma tenção infame, mas porque pelas minhas imprudencias podia de facto ter arriscado a boa fama da pessoa, que eu quereria defender por todo o preço, á custa de todos os sacrificios, e tinha remorsos d'isso. Não é reparação, que venho aqui oferecer; Cecilia não carece d'ella; venho pedir-lhe a minha felicidade.

Manoel Quentino permanecia como estupefacto.

—De meu pae tenho já o consentimento; tenho tambem a approvacão de
Jenny; falta-me apenas…

—E Cecilia?…

—Interrogue-a.

Manoel Quentino, quasi sem saber o que fazia, dirigiu-se á porta para chamar a filha. Esta não estava longe, como é de prever.

Ao entrar na sala, o rosto tinha-lhe dito mais, do que se podia esperar das palavras.

Manoel Quentino não era para mais hesitações e reservas. Atirou-se ao pescoço de Carlos; abraçou-o, beijou-o, chamando-lhe seu querido filho.